Quando perdemos alguém repentinamente, sentimo-nos impotentes; há uma sensação de vazio e de algo inacabado. Mas, quando perdemos o meu sogro, foi diferente. Vimos ele partir aos poucos, mas ele nunca deixou de lutar, mesmo sabendo que a batalha era em vão.

Sr. Ilário Menegon, conhecido carinhosamente por todos como “Gringo”, era uma pessoa forte — ou aprendeu a ser. Perdeu o pai no início da adolescência e recebeu a incumbência de ajudar a mãe a criar os irmãos mais jovens, no interior do Rio Grande do Sul. Tornou-se um homem destemido, amigo de todos, que não se deixava abater por nada.

Para mim, que cresci sem uma figura masculina, ele acabou se transformando em uma referência de pai, de pessoa e de ser humano. Ensinou-me valores que, até então, eram-me desconhecidos. Demorei muito para escrever esta crônica; não apenas porque o peito doía cada vez que eu começava, mas por buscar a forma exata de descrever alguém que me trouxe tantos ensinamentos.

Ele mostrou a todos que é possível, sim, fazer o certo. Mesmo com todas as dificuldades de seus momentos finais, deu instruções sobre como administrar a empresa e a fazenda, orientando o que fazer em quase todos os casos. Pediu união aos dois únicos filhos e aos quatro netos. Disse que seu único arrependimento foi não ter feito ainda mais por todos.

Hoje, passado algum tempo, vejo a fortaleza que ele foi. Sabendo que estava partindo, passou o bastão a cada um de nós. Do seu jeito, ele me fez crescer e entender que a vida é maravilhosa se não tivermos medo dela, e que a única garantia que temos é o que deixamos no coração de cada um.

Mas o meu maior aprendizado veio em seus últimos dias. Ele chamou cada um dos filhos e netos para conversar. Quando chegou a minha vez da despedida, confesso que não foi fácil. É difícil dizer adeus a alguém que, mesmo no fim da vida, conseguiu me ensinar o que muitos não aprendem a vida inteira: a ter discernimento. Ele já não enxergava e já não ouvia tão bem; porém, apesar do corpo frágil e cheio de limitações, eu ainda vi um GIGANTE. Um homem tão forte e corajoso que chorei — chorei pelo privilégio de ter convivido com ele.

Sr. Ilário Menegon, realmente a vida é um constante desafio, uma luta após a outra. O diferencial é que, quando aprendemos com as pessoas certas, os desafios viram sabedoria. Obrigada por ter me deixado fazer parte da sua vida. Até breve.

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